terça-feira, 16 de novembro de 2010

Chove

Chove.

Lá fora.
Dentro de nós.

Mas a chuva não cabe
no abraço que te ofereço.

Nesse...
Só o Sol.
Só o azul.

Dina Cruz

Pudéssemos nós...

Traz-me ocupada constantemente esta angústia de nada poder.
E de sermos tão pouco
E de estarmos sempre tão longe de sítio nenhum
E de a cada segundo pensar que posso não ter nada
e ainda assim perder tanto...
É tão doloroso para a alma
que chega a doer no corpo!

Há situações em que somos tão pouco.

Podemos nada!

Pudéssemos nós...

Dina Cruz

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Hoje foi a minha vez...
A minha vez de precisar que soubesses,
como sempre soubeste,
que o meu ombro é teu...
Que as tuas lágrimas
são também as minhas lágrimas...
Que tenho pena de que o teu sorriso de hoje
não seja o sorriso que te sei...

Não estás só nesse imenso deserto
em que se converteram os teus dias!
Não estás só!
Nunca estarás só!

Só estarás só,
se, expressamente, implorares:
DEIXEM-ME SÓ!

Dina Cruz

domingo, 7 de novembro de 2010

Só,
num quarto gelado e branco,
ofereceram-te, sem enlevo,
uma palavra amarga
corrosiva
que te doeu na pele
que te esfacelou a alma.

Não te deram um abraço.
Não te deram um sorriso.
Não te deram uma lágrima
que justificasse as tuas.

Apenas uma palavra
um vocábulo seco e acre
pedra-gume-lume-bala...

E abandonaram-te no branco gelado do quarto.
Só.

E um sabor amargo na boca
nas mãos,
na alma...

Arrancarão de ti
um pedaço de ti.
Mas arrancarão mais...
Arrancar-te-ão o sorriso pleno
dos dias azuis.

Aguardamos
com esperança e pressa
a Primavera
e o azul dos céus e dos dias...

Dina Cruz
Invade-nos o frio.
Cresce um Outono dentro de nós...

Partem aves saudosas
Tombam das árvores
pedaços rubros e dourados,
perdidos,
em voos fulminantes e dispersos...
Nuvens cinzentas encobrem o sol
e o azul dos céus...

Dentro de nós,
que sempre estamos contigo,
há também algo que parte:
mais um pedaço de alma...

E em ti,
apesar dos sorrisos e das graças,
há uma dor que escondes
apenas de quem não te sabe como eu.

Este Outono
é cinzento
é baço
é de partidas e de perdas...

Além do sol
Sabemos que algo mais se perderá
Como o rubro e o dourado das folhas
da grande árvore das nossa vidas...
Da tua vida!

Mas no fim do Inverno,
a Primavera voltará!
E trará de volta
as folhas
as aves
as flores
o sol
os frutos
os sorrisos abertos e doces de uma vida
que floresce e renasce
do frio cinzento dos próximos tempos...

Faremos uma festa
de abraços e de beijos
de canções e de sorrisos abertos
Seremos,
de novo,
felizes a valer.

Quando a Primavera chegar.
E ela sempre chega!

Dina Cruz

domingo, 17 de outubro de 2010

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

Fernando Pessoa

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Névoa

Os dias estão cinzentos.
Nós também...

É como se as nuvens
tapassem o sol e os sorrisos.

Mas para lá das nuvens opacas
O infinito azul...

Dina Cruz